sábado, 23 de maio de 2015

ESTUDOS - GHAWAZEE - FAMÍLIA MAZIN

Khairiyya Yusuf Mazin, era a mais nova das cinco (5) filhas de Yusuf. Su'ad, sua irmã mais velha, tinha sete (7) anos de idade quando subiu ao palco pela primeira vez, dançando com sua tia Labiba, famosa dançarina de Quina, no Egito. As outras garotas Mazin se chamavam Fathiyya, Feryal e Raja.

Fathiyya e Feryal cantaram e dançaram no filme egípcio Al-Zauja al-Thania e Khairiyya retratou no cinema uma sedutora ghaziyya da era napoleônica, em uma produção francesa.


Extremamente marginalizados pela sociedade, eles viviam da arte do entretenimento, eram associados à vida fácil e, segundo alguns estudiosos, tinham origem Domani (ciganas).

Em muitos momentos a palavra Ghawazee se tornou sinônimo de prostituição, isto é ilustrado num insulto comum no sul do Egito, "yabn al-ghazeeya", que significa literalmente, "filho de um ghazeeya”.

A caçula das irmãs Mazin é um dos últimos expoentes da dança autêntica do povo Nawari, do Alto Egito. Hoje Khairiyya ministra aulas para estrangeiros e pesquisadores de todo o mundo.
Publicado na Fanpage Estudos Etno-culturais de Mell Borba.
Postagem feita aqui.

FILME COMPLETO - LATCHO DROM



Latcho Drom - Filme de 1993
  1. Latcho Drom é um documentário francês de 1993, escrito e dirigido por Tony Gatlif. O filme, conduzido principalmente pela música, fala sobre a jornada dos Ciganos do noroeste da India até a Espanha. Wikipédia
  2. Data de lançamento6 de junho de 1993 (França)
  3. Duração1h 43m


Filme muito interessante que mostra a migração do povo cigano e sua influência em vários estilos de dança, entre elas, a dança oriental árabe.

Latcho Drom (viagem segura) é um documentário francês de 1993, dirigido e escrito por Tony Gatlif. O filme é sobre a jornada dos povos Romani, do noroeste da Índia até a Espanha, consistindo principalmente de música. O filme, exibido na seção "Un Certain Regard" no Festival de Cannes de 1993, descreve as migrações, canções e danças dos grupos Romani da Índia, Egito, Turquia, Romênia, Hungria, Eslováquia, França e Espanha. Algumas passagens são encenadas, porém não há diálogo nem narração.

O filme ilustra a variedade de condições em que vive o povo cigano, nômades nos desertos quentes da Ásia, ferreiros pobres e moradores de árvores nas planícies congeladas da Europa Oriental, artesãos e comerciantes na região costeira e colinas da África do Norte e Europa Ocidental. Ele também ilustra as semelhanças nos hábitos de viagem, nas melodias e temas musicais.

A jornada se passa ao longo de um ano, iniciando pelo verão, passando pelo outono e inverno e terminando na primavera. Gatlif mantém sua câmera no essencial e elementar da vida: água, a roda, fogo, animais de carga e de sustento, roupas coloridas, joias, instrumentos musicais, música e dança. Por toda parte, através de música e dança, jovens e velhos celebram, encarnam e ensinam os valores culturais da família, da viagem, do amor, da separação e da perseguição.

O filme inclui músicas do grupo romani, Taraf de HaïdouksTchavolo e Dorado Schmitt, entre outros, originários da Romênia.

Tony Gatlif (nascido como Michel Dahmani em 10 de setembro de 1948 em Argel, Argélia) é um diretor de cinema francês de etnia romani que também trabalha como roteirista, compositor, ator e produtor.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

DE ONDE SURGIU O TERMO CIGANO?

Quem terá, pela primeira vez, chamado um cigano por este nome? 


E, no que se inspirou para dar-lhe o nome de cigano no sentido de querer identificar-lhe a raça e a origem?

A palavra cigano não existe no idioma romani. E em definitivo, no Congresso Mundial que reuniu centenas e centenas de ciganos de todas as partes do mundo, acontecido em Roma, em 1971, ficou estabelecido que este povo nômade, de pele morena, deveria ser chamado de Rom, que em romani quer dizer homem.
As mulheres, são romís e o plural de rom é romá

Portanto, os romá não querem ser ciganos, mas aceitam ser identificados como ciganos, na maioria dos casos. 

Mesmo porque aqui no Brasil nunca se teve registro de uma perseguição que se igualasse a dos reis católicos Isabel e Fernando de Espanha, ou de Franco e Hitler. Com todos os problemas brasileiros, aqui os romá tem um território mais livre e são melhores aceitos. 

Hoje em dia ser rom/romí é poder viver nas estradas ou nos apartamentos e continuar preservando a tradição.

Portanto, os nomes ciganos - gitanos - tsiganes-zíngare são apelidos para os romá ou romanís, dados pelos não ciganos, principalmente no Velho Mundo Euro-asiático. E chamá-los de povo rom, manush ou povo romani é a denominação correta. Ambos os vocábulos são de origem sânscrita e, significam respectivamente homem ou pessoa, sendo que o nome Rom é mais comumente atribuído ao cigano de origem oriental, mais tradicionalista; e o nome Manush é a denominação mais comum aos que estão fixados na França, com hábitos mais ocidentais e também são conhecidos como Sinti. É assim que aceitam ser identificados. 

Para os ciganos, todos os estranhos à sua raça são chamados de busné, payo ou gadjé, que em romani quer dizer literalmente aquele que não é cigano. Notamos que a denominação gadjé é a mais utilizada, principalmente nos países da Espanha, França, Itália, Portugal, Brasil e demais países de língua portuguesa.

No entanto, os gadjé, busné ou payos deram aos Ciganos muitos nomes diferentes. A principal delas - Cigano e suas traduções mais conhecidas - teria derivado do nome Atsinnganni , uma palavra grega para designar o praticante de uma seita mística, originária da Ásia Menor. Assim que tais praticantes começaram a aparecer no Império Bizantino, foram chamados de Atsinnganni, que na verdade quer dizer praticante de magia, mago ou bruxo. Diante do modo de vida e das tradições dos ciganos, foi fácil relacioná-los com este outro povo, também devido às práticas místicas pouco comuns, exercidas pelos ciganos e passadas de geração em geração.

Da palavra Atsinnganni, gadjés de vários países europeus, retiraram os diversos nomes que deram aos Ciganos.

É claro que, nestes países, os Ciganos tiveram uma presença mais marcante e prolongada que nos demais: Egito, Grécia e Romênia e países dos Balcãs.

O pesquisador Olimpio Nunes, de Portugal, destacou em seu trabalho O Povo Cigano muitos dos nomes que se seguem. Podemos então comprovar a existência do radical do nome Atsinnganni, bem como sílabas transformadas pela acomodação lingüística no primeiro grupo de nomes:

Atsincani - Grécia
Tchinganie/Tchinghiani - Turquia
Tzigani - Bulgária
Zigani - Romênia
Ciganiok/Czygany - Hungria
Zingari - Itália
Cigano - Portugal/Brasil Cigan - Bulgária
Ciganin - Sérvia
Cygan - Polônia
Cykan - Rússia
Czygany - Hungria
Cigano - Lituânia
Zigeuner - Alemanha e Holanda



Imagens:
http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/galeria/2012-06-19/foto-publicada-pela-agencia-brasil-em-reportagem-especial-leva-cigana-reencontrar-pai

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/falta-de-politicas-publicas-para-ciganos-e-desafio-para-o-governo-20110524.html

http://unisinos.br/blogs/ndh/2013/07/15/ciganos-no-brasil-um-povo-sem-voz/

quinta-feira, 21 de maio de 2015

ESTUDOS - GHAWAZEE

Crônicas, poemas e relatos escritos sobre os “ciganos” do Egito só foram encontrados nos dois últimos séculos, o que é compreensível, tendo em vista danças com mulheres exibindo as cabeças descobertas e movimentando seus quadris de forma sensual, o que era considerado inadequado por seus líderes religiosos, não permitindo escrever sobre eles (ghawazee).
Escritores ocidentais relataram sobre Ghawazee na sociedade egípcia sendo convidados para apresentações em aniversários, casamentos, entre outras festividades, isso por volta dos anos 1700 até 1834, quando eles foram banidos e proibidos de divulgar sua arte.
Publicado na Fanpage Estudos Etno-culturais de Mell Borba.
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BE-A-BÁ DO TRIBAL por Mariana Quadros


Mariana Quadros, além de inspiração como "pessoa dançante", sempre fonte de estudo, por produzir textos que nos ajudaram a entender o caminho do Tribal traduzido para o português, rs.

Mariana faz uma releitura de uns dos seus texto, trazendo ainda mais clareza para entendermos, afinal: 
O que é TRIBAL?

Achei fantástico e muito necessário compartilhá-lo! 

*** Tribal - Genérico, assim sem nenhuma especificação, geralmente faz referência ao Tribal Fusion ou ATS® versus a Dança do Ventre, mas também pode significar uma dessas duas danças distintas: 
1) Danças de tribos de qualquer parte do mundo
2) O estilo tribal "original" feito pela Jamila Salimpour e sua trupe Bal Anat - leia todo conteúdo aqui!

*** American Tribal Style® ou ATS® - Esse foi o estilo que surgiu dando início ao restante do movimento tribal. - leia todo conteúdo aqui!

***ITS - Improvised Tribal Style (ou estilo tribal de improvisação) - leia todo conteúdo aqui!

*** Tribal Fusionleia todo conteúdo aqui!
Do Tribal Fusion, surgiram e ainda surgem muitos sub-gêneros como o Dark Fusion, o Tribal Brasil, o Tribal Gótico, e assim por diante. Escrito por Mariana Quadros.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

UMA BREVE HISTÓRIA DE ROMA NO SACROMONTE

Quando os ciganos chegaram a Sacromonte

A questão ainda está em debate científico hoje, e é impossível dar uma resposta definitiva. Talvez por isso, você tenha que saber como eles chegaram à Espanha antes. Até recentemente, a ideia de que os ciganos vieram do Punjab, na Índia, com base em certas semelhanças entre a sua linguagem e as línguas indo-europeias permaneceu. 

Supunha-se que os ciganos eram Indo-Europeus e eles até mesmo encontrar uma suposta cidade original: Uttar Pradesh. Mas esta hipótese não tem base sólida. Além de que não havia nenhuma cidade ou Gypsy, um outro assunto - o problema é a questão da língua: a mesma língua ou hábitos pode ser compartilhado por dois grupos humanos etnicamente diferentes, sem estar vinculado a um único grupo étnico ou "pessoas" juntos. Os berberes de Marrocos são um grupo étnico diferente do árabe, mas ambos os grupos falam a mesma língua, um dialeto do árabe clássico (Dariya), e habitam o mesmo Estado-nação, Marrocos, sob a mesma fé, o Islã.

O fato é que Roma parece ter mais a ver com os antigos povos semitas do Oriente Médio, como os hurritas de Mitanni (+ -1500 aC) e as citas-sarmáticos instalados a partir do primeiro milênio aC Médio Oriente, vindo após uma migração lenta para o Vale do Indo. Ciganos são, portanto, os povos semitas. Quando chegaram à Índia, a Roma, língua, ele ainda estava na fase de formação e deve assimilar no Indo muito dos fonética e gramática do Indo-Europeia. Daí as semelhanças entre línguas indígenas e ciganas. Mas pouco mais.
Mais tarde, alguns desses primeiros ciganos retomou o caminho de volta para o "Ocidente". 

Depois de chegar na área sírio-palestina, algumas tribos iria para o Egito, no final da Idade Média (século XIV?). Enquanto outros, contemporaneamente, colonizado parte da Europa Oriental, formando o grupo rom, de onde vêm e presentes ciganos ciganos - espalhados por todo Bulgária, Albânia, Grécia, HungriaRomênia. Do Egito, o primeiro grupo continuou ao longo do Norte da África e, cruzando o Estreito de Gibraltar, chegou à Península Ibérica no século XV, onde se estabeleceram, definindo o grupo cigano em si. Esta divisão, por séculos, explica por que os atuais ciganos e romenos espanholas têm, com uma corrida, por isso muitas diferenças culturais entre eles.

Nos tempos dos Reis Católicos (1475-1516) ciganos da Espanha eram popularmente conhecidos como "egípcias tribos" em memória de sua origem imediata. Entre eles, curiosamente, ainda carregam a memória de passar pelo Egito, e muitos dizem que embora sem muito fundamento - estar relacionada com os faraós, como o famoso Chorrojumo, "último Rei Cigano de Granada".

Parece que houve também muita simpatia aberta entre os hispânicos-sefarditas judeus e ciganos em seu encontro na Espanha medieval, embora este último, eram cristãos desde os tempos antigos. Roma abraçou o cristianismo no início da era cristã. Sua conversão foi nenhum obstáculo para se adaptar muitas de suas tradições culturais, de origem semita, novas leis cristãs. Isso explica por que o fundo semita sefardita e Gypsy confraternizaram em breve, mas especialmente a situação de marginalização social, ou "cidadãos de segunda classe", sem direitos civis completos era uma característica compartilhada por ambos os grupos, judeus e ciganos, o que contribuiu para fortalecer e consolidar as suas ligações; judeus foram infiéis, os forasteiros. Em tais condições, dificilmente poderiam encontrar seu próprio nicho na sociedade fechada medieval.
Outro grupo social, que traçou fortes laços de amizade com os ciganos na Granada Renascentista e, com o tempo laços de sangue, era o povo mouro. Além das semelhanças óbvias, a raiz semita e status social marginal, facilitando o entendimento, era a consciência comum de ser diferente "algo à parte" na sociedade. Apesar de sua fé cristã, ou ciganos e mouros (no segundo caso, a fé forçado), não se identificaram com os descendentes orgulhosos da "raça gótica", os espanhóis, nem com a cultura da classe dominante. Ciganos não poderia cultivar ou possuir terras, privilégios reservados aos senhores de Castela, nem poderia servir como agiota, material de judeus. Pelo menos eles poderiam exercer tarefas paralelas, que, apesar de sua natureza extraordinária, foram de grande importância para a economia do reino: podiam negociar, eram bons artesãos e mesmo assim eram famosos por seu caráter animado e alegre.

No entanto, a expulsão dos judeus (1492) e de repressão antimoura - medidas autoritárias visando a criação de um único modo de vida na Espanha, os ciganos são colocados em uma situação difícil. A tolerância cedo deu lugar, terminando no século XV, um período de fanatismo, que não aceitava aqueles que falavam ou se comportavam de forma diferente da forma canônica. 

A priori, a forma de vida alternativa, nômade, e oportunista dos ciganos, parecia anárquicas para os governantes, uma vez que não eles servem como vassalos de nenhum mestre, e obedecem a suas próprias leis Roma, antes de qualquer outra. Aos olhos dos servos, o modus vivendi dos ciganos independentes e livres, parecia uma maneira tentadora para escapar de sua situação social terrível. Os senhores não podiam se dar ao luxo de perder o trabalho, e reintroduzido pela força, a cada elemento transgressor da ordem feudal dentro dessa ordem. Entre estes infratores destaque ciganos.

Depois disso, várias leis, incluindo a Pragmática de Medina del Campo de 1499, assinada pelos Reis Católicos, emitiu-se medidas repressivas contra Roma. Eles foram proibidos, entre outras coisas, continuar a sua vida nómade tradicional, forçando-os a se estabelecer em um lugar, e trabalhar no que eles sabiam ou podiam, que na época era o mesmo que se tornar servidores de algum fazendeiro. 

Aqueles que se recusaram, estavam sofrendo prisão, deportação ou morte. Mas passado alguns séculos, no século XIX, com a entrada de idéias iluministas na Espanha, a Roma conseguiu melhorar ligeiramente a sua situação social. 

Neste momento, surgiu a primeira memória coletiva de Roma. 

Na Andaluzia e Extremadura eram apreciados como os comerciantes de gado de trabalho, necessário para a agricultura (embora os "senhores" continuavam a vê-los com desrespeito), também destacaram-se como ferreiros e forjadores, profissões magistralmente ainda exercem hoje, e que, pela sua natureza e caráter, permitindo-lhes viver "em seu lazer", mais ou menos de forma autônoma.

Quando parecia que, finalmente, os Roma tinham um lugar legal na sociedade, a industrialização do início do século XX acabou marginalizando novamente. 

Bem incapaz de não, ou não querer - acompanhar o ritmo frenético do progresso, muitos tiveram que escolher entre abandonar os seus hábitos ancestrais e se adaptar a um mundo novo... exclusão social levou a os males de favelas, o desemprego, drogas e pobreza. Mas poucos têm encontrado o seu caminho, com esforço no sentido da integração, estudo ou abrir pequenas empresas, tornando-se ricas famílias ciganas que vivem juntos sem problema com não-ciganos. 

Outros, no entanto, permanecem à margem da subsistência. Eles são dois lados de uma dura realidade. Dentro da mesma sociedade, a divisão entre ciganos ricos e pobres traz muitas tensões, alguns consideram que é melhor aceitar a pobreza em troca de sua liberdade, apresentando-se como o "verdadeiro" Roma (como eles se recusaram a saltar através de aros). 

Granada, assim como muitas outras cidades espanholas, é um bom exemplo dessa dicotomia.

Créditos - Juan Antonio Cantos Batista.



FLAMENCO - BAILADO CIGANO

Diz uma antiga lenda que os ciganos dançam desde o útero materno. Já nascem realizando uma coreografia própria de quem tem sangue cigano nas veias. 

Este sim é o verdadeiro sentido do bailado cigano

Alegre ou melancólica, a dança cigana é realizada de corpo e alma, seja para comemorar, louvar ou fazer surgir do fundo da alma a resistência, que justifica a trajetória deste povo pelo mundo. 

Prova disso são os inúmeros ritmos da dança: bulerías, alegrias, tanguilhos, sevilhanas, rumbas, farrucas, soleares.



Através do Flamenco, ritmo que ganhou maior expressão na Espanha, os ciganos que vieram primeiramente para o Brasil, encantaram nobres e plebeus nas festas do Campo de Sant’Ana e do pátio interno do Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro, conhecido como Pátio dos Ciganos. 

A dança flamenca, identificada como a dança tipicamente espanhola e cigana, tem uma história de perseguição muito semelhante a dos ciganos. O nome flamenco deriva do árabe jelah mengu, que quer dizer camponês foragido. A dança é uma mistura de elementos judaicos, espanhóis e muçulmanos, e surgiu de forma clandestina, nas grutas e cárceres por onde passavam os perseguidos pelas leis de Espanha, principalmente no tempo da Inquisição.

Quem assiste a um baile flamenco, sente que os movimentos do corpos dos bailarinos comunicam um sentimento forte, fruto de uma revolta e de um grande inconformismo, cheio de altos e baixos emocionais. É mesmo impossível não perceber que nos taconeos ou sapateados a dança flamenca marca o compasso do coração humano, que ora salta de alegria e outras horas arde de dor e tristeza. Dança de movimento vibrante, o grande êxtase do Flamenco é mostrar o vigor e a vitalidade dos movimentos de mãos, braços e sapateados que traduzem paixão, alegria, a melancolia transformada em força e o amor pela vida, justificando a resistência a todas as formas de perseguições.

OS RITUAIS DE SEDUÇÃO DA DANÇA

Arde uma fogueira no meio do acampamento. É dia de festa e as violas somam seus acordes às castanholas e pandeiros. As danças de fundo cerimonial são executadas dentro dos clãs, e não se prestam aos espetáculos públicos.

Fruto da assimilação dos elementos de outras culturas, uma das mais famosas é a Dança dos Lenços, inteiramente ritualística. No Flamenco o mantón e o xale substituem os lenços as demais danças ciganas. Ambos são aparatos de proteção e ao mesmo tempo de sedução. A mulher parece desnudar-se para seu amado, como se descobrisse para ele o próprio corpo e o próprio segredo de amor.
Através do leque a mulher comunica sua determinação ao abri-lo, num movimento rápido de som agradável e forte. Assim que consegue atrair a atenção do homem, assume a postura soberba de uma rainha ou de uma recatada donzela, encobrindo o rosto para estimular seu pretendente a demonstrar suas verdadeiras intenções. Ritualisticamente é comum dançar abanando o leque sobre a cabeça e ao redor do corpo, para ativar a energia física e chamar os bons espíritos. 
No tango espanhol, bem diferente do tradicional tango argentino, é produzido com movimentos sensuais estimulantes, utilizando como adereço um chapéu que, se retirado da cabeça da bailarina, pode ser levado à altura dos quadris e do peito. Tem um belo ar majestoso, temperado de humor. Porém, mais rápido, é conhecido como tanguilho. As castanholas, de origem moura e indiana, produzem a percussão que fazem dos improvisos entre bailarinos e guitarristas verdadeiros diálogos de grande carga dramática. O som das castanholas ativam a energia do ambiente, produzindo uma limpeza energética que afasta maus fluidos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

ESTUDOS - REGISTRO DA DANÇA COREOGRAFADA NO ANTIGO EGITO

Publicado na Fanpage Estudos Etno-culturais de Mell Borba.

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O "AUSCHWITZ ERLASS" (AUSCHWITZ DECRETO)

Em 16 de dezembro de 1942, Heinrich Himmler deu a diretiva que todos os "ciganos" que ainda viviam no "Reich alemão" deviam ser deportados para Auschwitz

O "Decreto Auschwitz" foi a revelação final de um plano que existia de fato desde 1938 e que já tinha sido parcialmente realizado, ou seja, a extinção completa de "Ciganos". 

Ordem de deportação de Himmler foi dirigida contra todos os "mestiços ciganos, Rom-ciganos e os ciganos dos Balcãs", a "meia raça" não sendo mais de importância. Com exceção de um pequeno grupo de "ciganos racialmente puros", que eram usados como "peças de museu", no museu ao ar livre de Himmler, que só existia no papel.

No chamado "campo de família cigana" de Auschwitz, haviam mais de 20.000 ciganos, que vinha, na grande maioria da "coleta de campos" na Alemanha, ÁustriaPolôniaBoêmia e Morávia, e foram empoleirados juntos no menor dos lugares. 

Trinta e duas barracas de madeira, cada uma das quais deve ter sido originalmente usada por 52 cavalos, foram usados como alojamento. Até 600 ciganos foram colocados em um desses quarteis. Assim as circunstâncias sanitárias eram desastrosas. Já depois de alguns meses centenas de Roma havia morrido de desnutrição, as epidemias e trabalho forçado.

Roma foram utilizados para o mais difícil argila e construção de trabalho dentro do campo. A epidemia de fome "Noma" se alastrou entre as crianças. Além disso, o sistema de campos foi marcado por estruturas de poder internas. 

Internados políticos, na extremidade superior, judeus e ciganos na extremidade inferior da hierarquia. Estereótipos e preconceitos foram assumidos pela comunidade acampamento. As identificações estabelecidas pela SS fazia um rápido reconhecimento. Roma usava um triângulo marrom ou preto, o número preso precedido por um "Z" (para "Zigeuner") foi tatuado no antebraço.

De todos os campos, Auschwitz, o "acampamento cigano" teve a maior taxa de mortalidade. 

19.300 pessoas perderam suas vidas lá.
5.600 foram gaseados, 13.700 morreram de fome, doenças, epidemias e experimentos médicos. Os últimos foram utilizados a fim de provar a influência decisiva de "raça" e hereditariedade. 

A imaginação dos médicos encarregados desta tarefa, principalmente Josef Mengele, não conhecia limites. Roma foram injetados com soluções salinas e bacilo de tifo, os médicos tentaram a pigmentos de cor e injeções no coração, a fim de examinar os olhos dos gêmeos. Desta maneira, os médicos, os membros da SS e do exército difundiram um sentimento de ciência na população em geral.

Auschwitz é apenas um dos muitos campos de concentração em que a Roma foram assassinados, parcialmente antes e sistematicamente após o "Decreto Auschwitz". 

Além disso, o segundo componente da política de extinção foi realizado, ou seja, a esterilização forçada, tanto dentro dos campos e fora dos hospitais. Milhares de Roma, em sua maioria mulheres e meninas, sofreram esta operação, muitas vezes sem anestesia. Muitos morreram durante a operação.

O pintor austríaco, Karl Stojka, era um menino de 12 anos quando ele foi deportado para Auschwitz-Birkenau com sua família em 1943. Ele lembra a morte de seu irmão mais novo.:
"Meu irmão mais novo Ossi morreu de fome. Ele estava na cama acima, sete anos de idade, e tivemos que ir para o trabalho e ele estava sozinho! E quando os outros deram-lhe mais pão, em seguida, os mais velhos roubou o pão e o chá e sopa dele. E assim ele morreu de fome, ele morreu. Onde estava Deus? " (A partir de Cech / Fennesz-Juhasz / Heinschink 1999, p. 117)

VÍTIMAS
Ainda não se sabe quantos Roma foram vítima da perseguição nazista. 

Roma nem sempre foram registradas como tal, e chegavam nas estatísticas de vítimas como membros da maioria da população, como "outros". 

Documentos dos campos e listas de deportação foram perdidos, estão espalhados em diversos arquivos ou ainda não foram analisados. Os registros sobreviventes das forças armadas e da SS ("Schutzstaffel", esquadrão de proteção), que alternadamente assassinados por trás da frente oriental, muitas vezes a seu próprio critério, são incompletos e, particularmente com referência à Roma, com defeito.

Incontáveis assassinatos de vítimas, em execuções em massa, como as câmaras de gás, não foram documentados. A pesquisa tem que confiar em estimativas; qualquer que seja o seu testemunho, um número de pelo menos 250 mil vítimas é considerado altamente provável.

A discussão pública do tema que, muitas vezes é mais baseada em motivos mais pessoais, do que fatos. Por um lado, as organizações ciganas, tendem a estimar o número de vítimas em números muito altos. Por exemplo, os ativistas de minorias eram da opinião que o genocídio tinha 500 mil ou mesmo 750 mil vítimas - números que não são confirmadas pelos pesquisadores. 

Por outro lado, os historiadores questionam as motivações raciais nas pesquisas sobre o tema e, conseqüentemente, o genocídio da própria Roma. 

Além disso, a pesquisa histórica séria também tende a negar a perseguição Roma e seu caráter racista. A razão para isso é muitas vezes o motivo para dar justiça ao destino dos judeus em sua singularidade trágica.

Uma coisa é clara: 

Como a população judaica, os ciganos foram privados de seus direitos, internado e assassinado no Reich alemão. O processo documentado da perseguição e do número de crimes documentados por si só pode levam a outra conclusão, que assassinatos em massa eram "racialmente" motivados. 
"Suas almas estão doentes" - O austríaco Romni Ceija Stojka da Lovara Group, sobrevivente do campo de Auschwitz e um conhecido escritor e pintor, descreve como os filhos dos sobreviventes sofreram com o trauma do Holocausto, também:

"Quando saímos, estávamos mal, completamente! O coração foi ferido, a nossa mente, as nossas almas estavam doentes. E naquele tempo o Estado - e não Roma ou os mortais normais, mas o Estado, deveria ter tido o discernimento para permitir, como é permitido hoje, iluminação e falar sobre o que seria necessário ser feito. Essas pessoas todas deveriam ter sido tratadas. Eles não deveriam ter tido filhos, talvez por cinco, seis anos. Poucas pessoas que saíram, que estiveram lá, que tiveram força suficiente para serem saudáveis, capazes de rir de novo, se sentiram bem o suficiente para ver que o mundo não é ruim e até ousaram trazer crianças saudáveis a este mundo. Naquela época, a natureza seguiu seu curso: o mundo é bonito, as flores estão chegando. E não há amor no mundo, a natureza fez com que. Mas os nossos filhos - que é bastante normal, e eu acredito que cada pessoa que pensa um pouco vai dizer o mesmo, que essas crianças são extremamente sensíveis, tudo dentro deles, seus coração treme, chora imediatamente. Porque o seu coração, também, as suas almas, estão doentes. E nós colocamos esta doença dentro deles. Este medo, sempre o medo. As crianças cresceram com ele. E é por isso que eles sempre olham e se viram quando andam pelas ruas, você entende, eles se viram. Só uma pessoa que tem medo vira! Quando alguém fica doente no acampamento, e sua cabeça dói, sua alma sangra por um pai, uma irmã, um irmão que ficou lá, essa pessoa só podem ter filhos que também estão feridos em sua alma. Ele vem a este mundo, você pode ver como é doce, como é bonito, você o levanta, você o ama e o beija, abraça. Ele cresce, mas este medo que estava em você, você transfere para ele, com o leite da mãe. " Ill. 13 (a partir de Cech / Fennesz-Juhasz / Heinschink 1999, p. 77)

Os sobreviventes - Após a guerra, os sobreviventes Roma foram confrontados com os mesmos preconceitos que tiveram de suportar já antes de 1933 em toda a Europa. Depois de 1945, não havia interesse público em sua sorte. Foi só no final de 1970 que a maioria da população desenvolveu um sentimento de injustiça. Preconceitos contínuos tiveram efeitos com as chamadas "reparações". Apenas uma minoria de sobreviventes Roma e Sinti alemães e austríacos foram capazes de fazer valer as suas reivindicações. Os culpados austríacos e alemães em sua maioria fugiu sem prisão ou foram anistiados após um curto período de tempo. Os poucos Roma que não cederam à pressão e fizeram acusações, foram, em muitos casos desacreditados novamente e tidos como mentirosos.


Texto postado com permissão de Sayonara Linhares, Professora e Pesquisadora da Dança e Cultura Cigana, terá seus textos repostados aqui no nosso espaço para podermos aprender cada vez mais sobre esta cultura tão rica.
Sayonara Linhares