quinta-feira, 30 de julho de 2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

PARA TREINAR - Bellydance Fitness - Parte 02

Bellydance Fitness para Iniciantes: Movimentos Básicos - Queima de Gordura
DVD com dança do ventre com as gêmeas Veena & Neena Bidasha

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.

O conceito da Dança Tribal por uma perspectiva contemporânea.
Texto de Joline Andrade

Numa tentativa de acompanhar a liquidez das informações no mundo contemporâneo, a dança tribal, popularmente chamada de dança étnica de “fusão”, surge como proposta de agregar diferentes manifestações de danças étnicas das mais variadas regiões do mundo, e busca mesclar referências e matrizes de danças tradicionais e transpô-las numa estética contemporânea atualizada.

É uma linguagem que, tendo como referência a dança do ventre, mescla conceitos e movimentos de danças étnicas como o flamenco, a dança indiana, danças do HipHop, ou seja, danças de diferentes culturas e regiões do mundo bem como o(a) yoga. É relativamente recente no mundo da dança (surgiu em torno da década de 60, na Califórnia, durante os movimentos contraculturais do Woodstock), mas bebe na fonte de diversas culturas antigas e mistura tudo numa alquimia contemporânea.
Diante da vasta difusão da dança tribal, por meio de recursos tecnológico-comunicacionais, seus processos de hibridação foram intensificados pelos movimentos de globalização e ganharam complexidade, aumentando o teor das tensões e estabelecendo relações entre elementos dos mais variados.

Para compreender melhor os processos de hibridação na dança tribal, pode ser útil começar descrevendo, distinguindo e discutindo as categorias desta linguagem e os seus mecanismos de contaminação. Seus primeiros registros são da década de 1970 (SALIMPOUR, 1990), quando a dançarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais. De volta à América, Jamila resolve mesclar as diversas manifestações culturais que havia conhecido, realizando uma espécie de tradução cultural.

Com sua trupe Bal Anat, em 1969, passou a desenvolver coreografias que utilizavam acessórios das danças de matrizes étnicas e passos característicos da dança oriental ancestral, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando a isso um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais.

Nos anos 1980, novos grupos já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina a Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila para obter um melhor desempenho de suas dançarinas. Carolena fomentou uma fusão de estilos de danças do Médio Oriente e Norte da África, utilizando as danças de tradições etnográficas.

Tomando o que ela própria tinha aprendido a partir de dançarinos nativos do Marrocos, Argélia, Turquia, Egito, Síria e Líbano que estavam dançando nos Estados Unidos, começou a catalogar os movimentos de dança do ventre tribal (Tribal Bellydance), criando um repertório de terminologias básicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma seu próprio grupo, o Fat Chance Belly Dance, e desenvolve o ATS (American Tribal Style) ou estilo tribal americano (PHOENIX, 2008).

Nos anos 1990, passou a demonstrar com mais força a presença da dança indiana, do flamenco e mesmo das técnicas de dança moderna e do jazz dance, nascendo então o Tribal Fusion. O estilo tribal hoje representa a mistura de antigas técnicas de dança do norte da Índia, do Oriente Médio e da África, explorando as danças étnicas tradicionais como bhangra, bharata natyam e flamenco, e danças como o moderno, jazz, dança-teatro, danças do Hiphop (popping, locking, waving, ticking, strobbing) e, claro, a dança do ventre.

Na medida em que a dança é difundida em várias partes do mundo, os encontros e contaminações culturais possibilitam transformações mais complexas à mistura que já existe. Um exemplo é a proposta de mesclar as danças afro-brasileiras, tango ou dança moderna aos elementos da dança tribal.

As numerosas produções artísticas no entorno da dança tribal já contextualizam a ideia de pluralidade, pois são produtos da interação entre as informações de corpo e de mundo particulares a cada performer. A existência de danças tribais com maior influência africana, indiana, brasileira, norte-americana, etc, varia em forma e grau de acordo com uma relação tempo-espacial.

Hoje em dia a formação de um dançarino é constituída por diversas correntes, além de participar de projetos pontuais não apresentando uma referência corporal constitutiva. Ao se tratar do sistema dança tribal, estaremos falando de uma estética baseada na adesão de novas informações a todo instante. Sistema este de membrana extremamente permeável no que diz respeito às fronteiras entre as danças étnicas envolvidas, resultando em crises consecutivas em função das perturbações causadas pelo imprevisível, pelos ruídos deste contato.

Com a premissa que os envolvidos com a dança fazem parte de uma tribo onde todos compartilham sua singularidade em meio à diversidade, podendo atingir uma política de criação igualitária, as(os) dançarinas(os) tribais surgem agenciando uma espécie de, como afirma Boaventura, globalização contra hegemônica pós-colonial que se alimenta de um cosmopolitanismo subalterno ou insurgente.

A dança tribal, sendo composta por símbolos de cada cultura envolvida, selecionados através da familiaridade organizacional dos mesmos, permite a mistura de quaisquer outras informações culturais por meio de experimentações combinatórias. Desse modo, os agentes da dança tribal, em uma iniciativa transgressora, fizeram emergir mais uma categoria na dança tribal: “a dança de fusão".

O formato americano é uma das formas de traduzir o conceito de tribal. Dançarinos tribais podem e devem criar seus próprios meios, apresentar seus próprios olhares e fazer suas próprias associações para manter a dança VIVA, sem estagnações ou métodos e aprisionamentos de como se deve fazer. Traz autonomia artística e renovação estética à linguagem. Se pensarmos bem, essa estratégia de fusionar culturas do mundo é tão antiga na arte que nem posso citar todas as obras de música, teatro, cinema, artes visuais e dança que experimentaram/experimentam encontros interculturais com referências em culturas diversas. Isto quer dizer que fusão tribal não é moda da década de 60 pra cá. Aproximar a tradição do contemporâneo sempre foi uma fórmula incrível para todos os segmentos artísticos.

Existem questões éticas que devem ser sempre pensadas, principalmente quando se trata da apropriação de culturas em tempos de globalização, onde tudo é de todo mundo e isto só beneficia as grandes indústrias culturais que se apropriam, registram, comercializam o exótico e mantém à margem as culturas que serviram de sumo para o seu mercado. Chamar a dança de “tribal” já traz um tom colonizador pois, para o senso comum, este conceito vai estar sempre relacionado a algo selvagem, marginal, racialmente inferior, desprovido de racionalidade e civilidade.

Para expandir o conceito de tribal, sem dicotomias, vale pensar nas novas discussões sobre hibridação e identidades fragmentadas, plurais e singulares. Vale incluir todas as culturas no centro e destruir as margens, sem querer homogeneizá-las pois deve-se respeitar as fronteiras de diferenças entre elas. Entendo como tribais todas as manifestações artísticas chinesas, norte-americanas, brasileiras, russas, etc.

Afirmar as diferenças culturais de modo horizontal e “rizomático”, tendo sempre em vista o reconhecimento das matrizes e das origens de cada cultura para depois tomá-las como referência para fusões artísticas, me parece ser de tamanha grandeza. Transnacional seria um bom título para a dança, porém não teria força na indústria cultural que projeta a linguagem economicamente.

Penso que a "dança de fusão", ou a "fusão tribal", pode ser uma estratégia para burlar a mundialização dos interesses de um grupo de poder diante desta linguagem, pois possibilitam uma ecologia do saber, ou seja, uma descentralização na produção de arte, de conhecimentos. Instigada pela necessidade de diversidade, a ecologia do saber vem para validar o real, o lugar no qual essa manifestação está sendo projetada.

Se instauraria, de fato, a auto autorização das próprias possibilidades criativas das performers do estilo que legitimam outro modo de se fazer dança: estabelecendo critérios comuns de criação. Assim a desestabilização dos padrões pode ampliar o campo das possibilidades e garantir a continuidade de um sistema que se torna mais aberto às diferentes conexões culturais.

Peter Pál Pelbart, filósofo e ensaísta, aponta a investida contemporânea em corpos deformados e inacabados ao repensar o corpo do informe (sem forma, verdade e julgamentos), que recusa a modelagem do corpo moderno (adestrado e disciplinado), num processo de libertação das posturas rígidas e adquiridas através do reconhecimento das impotências do corpo. O corpo pós-orgânico, sem órgãos, amplia as possibilidades de experimentações diversas que permitem a invenção de novas conexões e libertação de novas potências, isto é, a capacidade da variação das formas (PELBART, 2003). É neste contexto que se instaura o pensamento contemporâneo nas novas produções artística da dança tribal.

TribaLX 2014 | Lisboa - Portugalhttp://www.tribalxfest.com/Data: 8 de MarçoLocal: Auditorio Orlando RibeiroElenco: Mardi Love, Elizabeth Strong, Jolien Andrade, Alexis Southall, Silvia Vasconcelos, Piny Orchidaceae Urban Tribal e muito mais.Solo: The Dark Balance por Joline AndradeMúsica: ArureFigurino: Jacqueline TeixeiraContato: (71)8796-3669 | joline_teixeira@hotmail.comRELEASE THE DARK BALANCEO solo "The Dark Balance" foi concebido por Joline Andrade por meio da analogia entre extremos opostos e toda instabilidade e hibridez conceitual que dela pôde surgir. O (des)EQUILÍBRIO entre o preto/branco, o feio/belo, o antigo/contemporâneo, o yin/yang e toda a dualidade que existe no universo estimularam, nesta nova coreografia, a reflexão sobre a plasticidade das fronteiras e a variação do sentido das coisas.
Posted by Joline Andrade on Quarta, 9 de abril de 2014

domingo, 26 de julho de 2015

sexta-feira, 24 de julho de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

segunda-feira, 20 de julho de 2015

PARA TREINAR - Fitness Fusion Yoga - Parte 2

Em um DVD especial do Bellydance for beginners de Suhaila Salimpour há um em especial para Yoga, o Fitness Fusion Yoga.

VÍDEOS - Compreendendo ATS e Tribal Fusion

ENTREVISTA - NILZA LEÃO - Fanpage entrevista Nadja El Balady, que fala sobre ATS e TRIBAL FUSION.

Parte 1:

Compreendendo ATS e Tribal Fusion
Parte 2:
Compreendendo ATS e Tribal Fusion - Parte 2

E aqui, tem um vídeo de como é feita a PRODUÇÃO para o look do ATS e TRIBAL FUSION:


Visite e curta: Nossa Tribo & Nossa Dança

E O FIGURINO NO ATS?

Chovendo no molhado (ou não, rs), achei legal postar algo novamente sobre o figurino. Fui no Blog ATS e ITS da bailarina e professora Aline Muhana, e achei algumas matérias postadas em 2010, mas sempre atuais. 

"O figurino de ATS já evoluiu bastante nos últimos 20 anos, porém as suas características principais que são a opulência e o caráter étnico nunca foram abandonadas. Basicamente o figurino se compõe de calça, saia (ou saias) cinturão decorado, choli, bustiê de moedas (ou de outro acessório que esteja de acordo com a estética étnica-tribal), turbante ou headpiece. Os acessórios são usados em abundância e profusão: anéis, braceletes, pulseiras, colares, broches, flores, xales e maquiagem étnica (mehandi, desenhos faciais, bindis) e carregada.


As etnias mais utilizadas no caldeirão de influências são a indiana, paquistanesa, egípcia, turca e africa-saariana. Ultimamente acessórios dos povos das Américas, Europa oriental e ásia central também tem sido incorporados. Sem contar é claro a influência cigana e nômade que sempre permeou o estilo.

Historicamente falando não existe qualquer laço de autenticidade entre os componentes no figurino de ATS. Ele surgiu e se desenvolveu graças à influência de pessoas como Masha Archer e Carolena Nericcio, que desenvolveram a idéia inicial de Jamila Salimpour, que por sua vez também inventou a estética do Bal Anat misturando influências e figurinos ao seu gosto pessoal. Carolena cita em entrevista no vídeo San Francisco Beledi: "Por um lado, esteticamente falando, tudo funciona junto, mas por outro lado realmente não há uma origem, porque isso é apenas um apanhado de peças artísticas postas juntas... Tribal é apenas algo que inventamos."

Assim como o próprio ATS sofreu influências dos seus participantes assim também foi com o figurino. O turbante foi uma peça que foi gradualmente substituída pelo headpiece decorado com penteados elaborados e muitas flores. Isso não significa que ele foi esquecido, muitos grupos ainda o utilizam. O choli também sofreu modificações e chegou a ser substituído por túnicas transparentes e casacos ghawaze e até mesmo abolido por alguns grupos. Tudo depende da intenção e do gosto de cada grupo, respeitando a a estética geral do estilo.

CHOLI - Este tipo de blusa é utilizada pelas mulheres indianas e paquistanesas como complemento do sari. É feito tradicionalmente com um pedaço de tecido excedente que vem junto ao sari quando adquirido no comércio. A modelagem é bem ajustada, com mangas curtas e decote raso. 

O choli é considerado elemento base da vestimenta do ATS, assim como as calças bufantes.

BUSTIÊ O Bustiê decorado da dança tribal descende do hábitos dos povos nômades do oriente de carregar consigo os seus pertences mais valiosos durante as suas viagens. O dinheiro era costurado nas roupas para evitar o roubo e para ostentar a riqueza do dote das mulheres. O bustiê de moedas é utilizado na vestimenta tradicional de dança do ventre assim como o indefectível xale de moedas (presente em figurinos de várias danças folclóricas). A peça normalmente é bordada com moedas antigas furadas (ou soldadas com virolas metálicas), botões de latão, retalhos de tecidos nobres e brocados e toda a sorte de elementos metálicos simbólicos (pequenos pingentes, medalhas, correntes, espelhos e berloques) dando um aspecto pesado e opulento.

CALÇAS - Pantalonas, bombachinhas, calça saruel são sinônimo da calça usada pelas dançarinas para ser a base do figurino de ATS. A sua função é resguardar a intimidade da bailarina durante os giros (quando a saia rodada sobe) e fazer referência a culturas milenares que a utilizavam como roupa de baixo. Não existe uma fonte de referência exata da cultura que inspirou o seu uso, afinal a calça bufante é utilizada por diversos povos através do globo, tanto por homens quanto por mulheres e crianças; como roupa de baixo ou como principal. A calça normalmente é feita de algum tecido leve e com um bom caimento, e com cores contrastante à da saia de cima, justamente para criar um "elemento surpresa" nos giros e viradas rápidas, ou como complemento à combinação de cores dos acessórios.
SAIA As saias utilizadas no ATS são extremamente rodadas. O menor diâmetro de baínha usado é a de 9 jardas (aproximadamente 8 metros) e o maior é a de 25 jardas (23 metros). O modelo mais tradicional lembra bastante a saia cigana Boho e é feito em camadas franzidas de tecido leve e natural (não se utiliza tecidos brilhosos ou sintéticos, a estética deve ser tradicional até na textura dos tecidos) e pode ser em cores sólidas ou estampadas. As saias utilizadas na dança cigana e espanhola com grandes florais podem ser usadas assim como as saias indianas de estampa de jaipur (um tipo de tye-dye com pequenos pontos coloridos amarrados um a um manualmente)ou as de petit-pois. Outras saias como as coloridas banjaras indianas podem ser usadas apesar de serem mais justas, porém normalmente estas são transformadas para serem usadas como "capas" das grandes saias franzidas.


CINTURÃO Os cinturões tanto na dança tribal como na dança do ventre tem uma função inicial básica: dar destaque aos movimentos do quadril. No ATS não poderia ser diferente, os cinturões normalmente são largos, coloridos, brilhosos e ricamente decorados. Faixas bordadas com espelhos, missangas e moedas importadas das índia ou paquistão são bastante populares. Estas faixas são bases para montagens com pompons de lã, correntes franjas e painéis texteis. Para arrematar, xales coloridos e bordados completam o visual. Os cinturões podem ser substituídos por xales de moedas egípcios, cordas de mozunas, ou cintos de couro com aplicações de metais. O que vale é destacar a linha do quadril e sobrepor de maneira elegante as diferentes peças étnicas." (Aline Muhana)


FONTES 


terça-feira, 14 de julho de 2015

PARA TREINAR - Bellydance for Beginners Parte 4

Suhaila Salimpour apresenta o DVD:
Bellydance for Beginners, com diferentes fusões. Aproveite!

4 Tribal Questions: Our dance mama and our inspiration Carolena Nericcio...



Publicado em 7 de jul de 2015
Tribal Mafia, FCBD® Sister Studio, starts a new educational project for all the tribal belly dancers of the world: 4 Tribal Questions.
We ask our beloved dancers these 4 questions:
Do you have a daily routine that includes practice?
What is your inspiration for the dance?
What are your secrets for getting ready for a performance?
Continue the sentence: tribal bellydance is...

Educated and inspired dancers are simply better dancers, and we want you all to be amazing!
Love,
Mafia

4 Tribal Questions: the lovely Manca Pavli



Publicado em 7 de jul de 2015
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4 Tribal Questions: the beautiful Anita Lalwani



Publicado em 7 de jul de 2015
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4 Tribal Questions: absolutely charming Aimee Krasovich



Publicado em 7 de jul de 2015
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

SOBRE O TRIBAL BRASIL por Kilma Farias

Tribal Brasil - Minhas impressões e expressões por Kilma Farias



Quando me encantei pelo Tribal em 2003 e decidi que iria estudá-lo esbarrei no meu primeiro obstáculo: a inexistência de professores no estilo. 

Até então só havia um grupo em todo o Brasil chamado Cia Halim, na época, dirigido pela Shaide e Fernando Reis, e sediado em São Paulo capital. O grupo experimentava a fusão do vocabulário indiano e flamenco com a dança do ventre, trazendo uma semelhança de vestuário com o ATS, porém mantendo características mais particulares. Falava-se em Tribal Brasileiro, devido às adaptações que o estilo trazia do que chamamos Tribal Americano (American Tribal Style). 

Em 2005 convidei a Shaide e o Fernando a ministrarem workshop em minha cidade, João Pessoa, e isso atraiu praticantes autodidatas e curiosos de todas as áreas de dança do Nordeste. No workshop, os professores frisaram a importância de se estudar o flamenco e a dança indiana, além da dança do ventre, por serem esses os pilares do Estilo Tribal Americano, uma vez que não tínhamos no Brasil professores de ATS. Eles também abordaram o assunto do Tribal estar focado nas danças étnicas e que um estudo das danças brasileiras cairia bem ao estilo. Isso acendeu uma luz na minha caminhada.

Em 2003 eu estudava Dança do Ventre com uma professora, chamada Ismália Sales, que nos trazia movimentos das Danças dos Orixás e chegamos até a montar um espetáculo fusionando movimentos da dança de Iansã, Iemanjá, Oxum aos nossos conhecidos movimentos orientais. 

O estilo era chamado por ela de Dança do Ventre Experimental, mas para mim ainda faltava algo que fizesse a liga, que unisse as duas formas de expressão Afro-Ventre em algo com uma só leitura, e que ao mesmo tempo trouxesse uma linguagem múltipla.

Iniciei uma pesquisa comparativa de ritmos e danças Orientais e Ocidentais, juntamente com os músico Magno Job e Victor Ramalho, observando a cadência, tempos, acentuações de diversos ritmos. Estudei as danças brasileiras em foco comparativo e extraí pontos convergentes entre as nossas danças e as danças do Oriente Médio. Dessa pesquisa, resultou meu livro Dança do Ventre, Da Energia ao Movimento, publicada pela Editora Universitária da Paraíba em 2004. No livro em questão, descrevi a trajetória de cerca de 200 movimentos com algumas ilustrações no intuito de que eu pudesse ir comparando depois com as danças afro-brasileiras e populares. A edição desse livro está esgotada desde 2007

Nesse processo, conheci o músico João Cassiano que passou a fazer parceria nessa pesquisa e juntos estabelecemos as correlações entre, por exemplo, Malfuf e Coco de Embolada, Soudi e Baião, Karatchi e Ijexá, Bambi e Samba Reggae. Surgiu como resultado dessa busca o termo Tribal Brasil para denominar os movimentos que eu passava a fusionar. 

Aulas de Afro tornaram-se necessárias e a professora Luiza Regina se agregou ao projeto. Os encontros aconteciam aos sábados durante os ensaios da Lunay, grupo que fundei em 2003 e que desde sua fundação abordou a Dança do Ventre em um caráter regional, utilizando músicas nordestinas em seu repertório, buscando uma maior identidade com nosso público e entendendo a semelhança cultural devido às heranças do Oriente deixadas aqui por nossos colonizadores.

Por estarmos tão envolvidos pela pesquisa rítmica, sentimos a necessidade de estruturarmos o primeiro espetáculo de Tribal Brasil da Lunay com música ao vivo. Chamou-se De Corpo e Alma, sendo a música a alma condutora de toda a movimentação. Para tanto, o grupo passou a ter aulas de percussão com João Cassiano e  Veronica Alves, que também passou a integrar o corpo de dança da Lunay na época. Além de termos Roberto Sansão também integrando como músico. Em 2006 pudemos apresentar nosso primeiro resultado desses estudos, ainda com forte peso do ATS/ITS, trabalhando com base no improviso dirigido através de sinais sonoros e gestuais, com uma música totalmente orgânica que em momentos era pré-estabelecida, em outros, totalmente improvisada.

O resultado foi muito bem aceito na época e logo os primeiros admiradores do estilo começaram a surgir, querendo saber do que se tratava, de como também poderiam trabalhar de modo semelhante. Assim, os primeiros convites para workshops começaram a surgir e, em 2006, fui convidada a levar o Tribal Brasil para a Argentina, através de Rita Andriossi. Lá, ministrei duas aulas para professores que até então haviam ouvido falar muito pouco do Tribal. Conheci Osvaldo Brandan, grande maestro da musicalidade Árabe, no qual pude falar sobre a pesquisa comparativa que realizava e através dele consegui muito mais embasamento para o que buscava estruturar. Retornei ao Brasil após um mês, com muitas respostas sobre o que estava buscando e definitivamente decidi estruturar o Tribal Brasil e ser uma divulgadora do estilo.

Em 2007 outros músicos se somaram ao projeto, Victor Alfonso e Mariana. Na época, o Magno estava de mudança para Natal por ter entrado para a Orquestra Sinfônica dessa cidade e tivemos de fazer diversas adaptações. Nessa experimentação, montamos novo espetáculo Ventre e Tribal como resultado da comparação dos ritmos Orientais e Ocidentais. A partir de então começamos a perceber que nosso repertório de movimentos começava a ficar escasso, acabávamos nos repetindo. Algumas dessas repetições foram batizadas com nomes de movimentos que usamos até hoje na Lunay e as utilizamos principalmente para improvisos, algo na linha Combo Based, combos já pré-estabelecidos que podemos utilizar em ritmos 4/4, por exemplo.

Mas esse repetir-se gerava uma angústia, uma vontade de fazer diferente. E dessa necessidade surgiu o Cultura em Movimento, em 2008. Esse projeto visa trazer diversas Danças Étnicas ao nosso repertório. De dois em dois meses convidamos um professor de uma modalidade diferente para nos trazer algo novo e assim já pudemos estudar Popping, Odissi, Flamenco, Cavalo Marinho, Afro, Cigana, Havaiana, Coco de Roda e de Umbigada, Kuduro, Capoeira, Maracatu, Frevo, Tango e tantas outras danças que nos servem de base até hoje. Entendendo, construindo e desconstruindo para surgir o novo; esse é meu pensamento primordial. Como ser tão natural dançando? Teríamos de trazer para nossa cena as danças que fizeram e fazem parte da nossa construção cultural, que estão no nosso padrão físico e colorem nosso imaginário. E trouxemos!

Em 2008 montamos Troupiniquim, e por hora me satisfiz com a linguagem estabelecida. Brasilidade na música, no corpo, no figurino e na cenografia: xita, céu azul, xilogravura, coco, maracatu, frevo, pífano, zabumba, cestos de vime, luz de candeeiro, aromas de cravo e canela e a naturalidade bela da mulher nordestina que encanta só de se ver passar. Tudo isso fusionado com o chamado estilo Tribal. Esse experimento nos rendeu o primeiro lugar em Dança na Mostra Estadual de Teatro e Dança da PB, e representamos nosso Estado no Fenart. Nessa época eu já ministrava workshops no estilo em todo o Brasil, despertando a curiosidade em unir a admiração pelo que vem de fora, como por exemplo o Tribal Fusion, com o que está tão perto de nós como as danças afro brasileiras e populares.

A falta de professores regulares de Tribal sempre me angustiou e, na falta, passei a fazer aulas regulares de Flamenco com Beatriz Betcher, de Dança de Rua com Vant Vaz e Percussão com Eli Porto. Processar o conhecimento e adequar à minha forma de pensar a arte se tornou meu prazer predileto. Aos poucos fui percebendo que essa ausência de professor regular de Tribal me fez criar e gerar um estilo totalmente novo, com uma abordagem única, unindo a corporeidade de diversas danças com o ATS/ITS e o Tribal Fusion, mas de um modo autêntico. 

Em 2010 tive a oportunidade de gravar um DVD de vídeo aula de Tribal Fusion e Brasil, pois nesse ano eu já não conseguia dar vazão aos convites para ministrar aulas em outros estados. O vídeo me pareceu uma excelente opção. Convidei o DJ Chico Correa e o músico João Cassiano para integrarem o projeto e tivemos um excelente resultado. O DVD esgotou no mesmo ano e novos horizontes foram surgindo. Até que recebi o convite para ministrar workshops de Tribal Brasil na Flórida, no Spirit of The Tribes, evento produzido por Maja Nile e que, no ano em questão, comemorava os 10 anos de existência do estilo Tribal Fusion no mundo. 

A receptividade no evento foi acima do que eu esperava. Tive entrevista de página dupla na revista Yallah Magazine, contei com a participação de Anasma em minha aula, que se apaixonou pelo estilo, recebi os comentários mais carinhosos da Ariellah Aflalo ainda nas coxias assim que saí do palco, o que, para mim, foi uma das maiores recompensas do meu trabalho. 

Admiro demais a Ariellah e estudei muito sua dança, minha eterna inspiração... e de repente ela estava ali me dizendo que tinha viajado na minha dança, no meu estilo, que era forte e original, que eu era uma grande dançarina... eu não queria mais nada. 

Pra mim já estava perfeito. Até que apareceu ainda John Compton elogiando o Tribal Brasil, minha performance em cena, e daí não aguentei de emoção. O Hahbi'ru foi o primeiro grupo de Tribal que assisti na vida, e creio que no mínimo umas 80 vezes assisti o mesmo DVD que guardo carinhosamente até hoje. Ganhei suas aulas gratuitamente e lá estava eu, estudando, trocando informação com meus mestres que pareciam tão distantes, querendo me ouvir falar das Danças do Brasil, das semelhanças e diferenças. 

Inesquecível. Mas para completar ainda fui convidada a dar entrevista para uma TV local, para ser jurada da mostra competitiva de Tribal e para improvisar ao som da banda californiana Danyavaad. O público recebeu com muito entusiasmo, ministrei duas aulas de Tribal Brasil, uma delas com percussão ao vivo, abordando a pesquisa comparativa de ritmos e suas possíveis utilizações no Tribal.

Hoje, a informação nos chega com maior facilidade, assim como a produção de workshops com bailarinas internacionais acontecem com maior intensidade, chegando muitas vezes a ser difícil de escolher com quem estudar. Já trouxe, em parceria com a BeleFusco, a Sharon Kihara (US) para João Pessoa, onde a mesma ministrou 10 horas de aula; e já pude participar de diversos eventos estudando com nomes como Mira Betz, Ariellah, Mardi Love, Tjarda, Unmata, John Compton, Moria, Kami, Anasma, Lady Fred, Dalia Carella, Megha Gavin, Jill Parker, entre outros. E isso só nos dá mais base para podermos construir e desconstruir com mais propriedade, com segurança do que deve ser adaptado ou não, até onde podemos ter a licença poética para recriarmos, reescrevermos deixando nossa marca.

O Tribal Brasil prosperou tanto que diversos grupos e solistas passaram a experimentar o estilo, dentro e fora do Brasil, acrescentando suas personalidades e agregando valores diversos. Dessa observação, surgiu o projeto Caravana Tribal Nordeste, idealizado por mim e Bela Saffe e que hoje se encontra no seu terceiro ano de execução. Em 2010 e 2011 contemplou os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Trazendo inclusive nomes internacionais como Sharon Kihara, Mira Betz e este ano Emine Di Cosmo em João Pessoa e Anasma em Salvador. A Caravana é uma forte divulgadora e fomentadora do estilo Tribal Brasil, pelas oficinas que proporciona de danças populares e afro-brasileiras, assim como a mostra de dança com as produções desenvolvidas. Paralelamente a Lunay continuou a desenvolver o estilo através da montagem de mais dois espetáculos, Caravana e Tribal Brasil, sendo contemplada com os mesmos nos Editais da Prefeitura Municipal de João Pessoa e Governo do Estado da Paraíba em projetos como Circuito Cultural das Praças, Festival de Artes de Areia, Fundo Municipal de Cultura.

Em LimaPeru, o Tribal Brasil abriu uma nova possibilidade criativa – fez com que as bailarinas de lá se animassem a desenvolver o estilo Tribal Peru. E me senti honrada em fomentar esse desejo e orientar como que elas poderiam aprofundar esse estudo. O Tribal Brasil serviu realmente de ponto de partida, de diretriz para que elas desenvolvessem lá algo com a identidade delas. Auxiliei na primeira composição coreográfica de Tribal Perú, na Escuela Luna Dance, onde as bailarinas foram me mostrando movimentos de danças peruanas, assim como músicas, e juntas, fomos esboçando o que poderiam adaptar até elas entenderem como realizo isso com o Tribal Brasil.

As inquietações são sempre presentes, creio que um estilo nunca se apresente como pronto, pois assim sendo penso que ele já nasceu morto. A vida exige evolução, transformação sempre. E acreditando assim, convidei Guilherme Schulze, professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Estudos da Dança pela Universidade de SurreyInglaterra para desenvolver um trabalho junto à Lunay. Bailarino e coreógrafo, Guilherme trabalha, entre outros métodos, com Laban, compreendendo o movimento através de seus quatro fatores - força, tempo, espaço e fluência. Sua aplicação aos processos coreográficos que vem sendo desenvolvidos pela Lunay tem como objetivo contribuir para a ampliação dos horizontes criativos e, consequentemente, das possibilidades expressivas do estilo Tribal Brasil. Já estamos em parceria desde janeiro desse ano e os primeiros resultados já começam a aparecer, caminhando para um fazer Tribal mais significativo e com maior naturalidade e propriedade do movimento. 

Vivo o Tribal Brasil em total comunhão com minha vida pessoal. Não sei dizer onde um começa e o outro termina porque para mim é comum ver dança em tudo que faço, de uma roupa que lavo no tanque a um giro a pé pela cidade, subindo uma ladeira do Centro Histórico ou estudando uma sequencia de movimento para ser apresentada no palco. É tudo dança, mesmo que não tenha intenção de ser. Sou uma eterna curiosa do movimento, das sensações que ele nos pode trazer, das sensações que motivam o movimento e ainda das impressões e sensações que causam a quem vê. O Tribal Brasil que desenvolvo segue uma estrutura, uma linha de movimento que abrange o vocabulário do ATS/ITS, do Tribal Fusion, das danças do Oriente Médio, Flamenco, Indiana, Afro-brasileiras e Populares, Popping e Contemporânea

Para ser Tribal Brasil precisa ter essa “liga” esse “amálgama” com o que é nosso e isso deve perpassar pela dança, musicalidade e figurino. Não se trata de ufanismo, xenofobia, bairrismo ou simples aversão ao que vem de fora. Pelo contrário. Queremos incluir, somar, agregar. Os movimentos por nós estruturados também trazem os traços dessa união na nomenclatura como, por exemplo, Samba Fusion, Maraca’turn, Iemanjá walk, Forró Shimmie, Frevo Jump #1, Frevo Jump #2.

PARA TREINAR - Marcação de Peito com Kami Liddle

 Bellydance superstars Tribal fusion fundamentals 

Locks with Kami Liddle